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Ilustração principal do artigo: Origem do Símbolo @: Da Idade Média ao E-mail

História da Tecnologia , História da Internet

Origem do Símbolo @: Da Idade Média ao E-mail

Júlio Parsifal 7 min de leitura

O símbolo @ está em todo lugar: e-mails, redes sociais, códigos e até preços. Mas você sabe de onde ele veio? A história da arroba é mais antiga que a internet — e passa por mercadores medievais, tipógrafos do século XVI e um engenheiro que conectou duas máquinas em 1971.

O que significava @ antes do e-mail?

Na Europa medieval, o símbolo era usado em notas comerciais para indicar "em" ou "cada um a" — algo como "10 unidades @ 5 moedas". Em português, ganhou o nome arroba, que também designa uma unidade de peso (cerca de 15 kg, variando por região).

Em inglês, leia-se at ("em" / "no"). Por isso usuario@servidor.com significa "usuário no servidor tal".

Quem colocou @ no e-mail?

Em 1971, Ray Tomlinson, engenheiro da BBN, enviou a primeira mensagem entre dois computadores na ARPANET. Ele precisava de um caractere que separasse o nome do usuário do nome da máquina — e o @ estava disponível no teclado, sem conflito com comandos do sistema.

Tomlinson escolheu o símbolo quase por conveniência técnica, mas essa decisão tornou o @ ícone global da era digital.

@ na tipografia e nos teclados

Impressores do século XVI já usavam o glifo. No teclado QWERTY americano, o @ fica no Shift+2. No teclado ABNT2 brasileiro, é Alt Gr + Q — uma combinação que confunde muita gente no primeiro contato.

@ nas redes sociais

No Twitter/X, o @ antes do nome cria menções. No Instagram e TikTok, identifica perfis. O símbolo deixou de ser só "arroba comercial" e virou identidade digital.

Curiosidades rápidas

  • Em italiano, chama-se chiocciola (caracol); em alemão, Klammeraffe (macaco-aranha).
  • O Unicode chama o caractere de COMMERCIAL AT (U+0040).
  • Antes do e-mail, poucos sabiam onde ficava o @ no teclado.

@ no comércio e na tipografia europeia

Antes de virar ícone digital, o @ circulava em livros de contabilidade italianos do século XVI como abreviatura de amphora — unidade de medida. Comerciantes portugueses e espanhóis adotaram símbolos semelhantes para indicar preço unitário. Daí o vínculo com arroba no Brasil: mesma origem comercial, nomes diferentes conforme a língua.

Tipógrafos incluíram o glifo em fontes metalúrgicas porque era útil em notas fiscais. Sem essa tradição impressa, Tomlinson talvez não tivesse o caractere à mão no teclado Teletype de 1971.

Como o e-mail transformou o @ em símbolo global

Até os anos 1980, muitas pessoas nunca tinham digitado @. A explosão de provedores comerciais — CompuServe, AOL e depois serviços globais — colocou o símbolo em cartões de visita e anúncios. No Brasil, bancos e lojas precisaram explicar aos clientes onde encontrar a tecla no ABNT2.

Hoje um endereço de e-mail é identidade: usamos @ para login, recuperação de conta e assinatura profissional. A neutralidade do símbolo — raro em nomes pessoais antes da internet — foi crucial para evitar colisões entre usuários.

@ além do e-mail: redes sociais e código

Programadores encontram @ em decorators (Python), anotações (Java) e CSS. No Twitter/X, @ cria menções; no GitHub, identifica usuários. Cada plataforma ressignifica o glifo, mas todos remetem à ideia de endereço ou referência.

Em português falado, “arroba” virou verbo informal (“me arroba lá”). Linguistas registram essa adaptação como exemplo de como tecnologia rearranja a língua cotidiana — fenômeno parecido com “googlar” ou “printar”.

Curiosidades regionais do teclado

No layout americano, @ está no Shift+2 — associado a “at” em inglês. No ABNT2 brasileiro, Alt Gr+Q exige combinação menos intuitiva para iniciantes. Em smartphones, o @ aparece logo no teclado de símbolos porque mensagens e e-mails demandam acesso rápido — prova de como o hábito digital redesenhou interfaces físicas.

@ no comércio e na tipografia europeia

Antes de virar ícone digital, o @ circulava em livros de contabilidade italianos do século XVI como abreviatura de amphora — unidade de medida. Comerciantes portugueses e espanhóis adotaram símbolos semelhantes para indicar preço unitário. Daí o vínculo com arroba no Brasil: mesma origem comercial, nomes diferentes conforme a língua.

Tipógrafos incluíram o glifo em fontes metalúrgicas porque era útil em notas fiscais. Sem essa tradição impressa, Tomlinson talvez não tivesse o caractere à mão no teclado Teletype de 1971.

Como o e-mail transformou o @ em símbolo global

Até os anos 1980, muitas pessoas nunca tinham digitado @. A explosão de provedores comerciais — CompuServe, AOL e depois serviços globais — colocou o símbolo em cartões de visita e anúncios. No Brasil, bancos e lojas precisaram explicar aos clientes onde encontrar a tecla no ABNT2.

Hoje um endereço de e-mail é identidade: usamos @ para login, recuperação de conta e assinatura profissional. A neutralidade do símbolo — raro em nomes pessoais antes da internet — foi crucial para evitar colisões entre usuários.

@ além do e-mail: redes sociais e código

Programadores encontram @ em decorators (Python), anotações (Java) e CSS. No Twitter/X, @ cria menções; no GitHub, identifica usuários. Cada plataforma ressignifica o glifo, mas todos remetem à ideia de endereço ou referência.

Em português falado, “arroba” virou verbo informal (“me arroba lá”). Linguistas registram essa adaptação como exemplo de como tecnologia rearranja a língua cotidiana — fenômeno parecido com “googlar” ou “printar”.

Curiosidades regionais do teclado

No layout americano, @ está no Shift+2 — associado a “at” em inglês. No ABNT2 brasileiro, Alt Gr+Q exige combinação menos intuitiva para iniciantes. Em smartphones, o @ aparece logo no teclado de símbolos porque mensagens e e-mails demandam acesso rápido — prova de como o hábito digital redesenhou interfaces físicas.

Segurança: o @ e golpes de domínio parecido

Criminosos registram domínios visualmente similares a marcas conhecidas e enviam e-mails com remetentes enganosos. Saber ler um endereço completo — usuário, @, domínio — é habilidade básica de segurança. Desconfie de subdomínios longos que escondem o domínio real no meio da URL.

Para se proteger de phishing que imita bancos e lojas, combine atenção ao símbolo @ em endereços com as dicas do nosso artigo sobre golpes de phishing.

Linha do tempo resumida do @

  • Séculos XV–XVI — uso comercial na Europa como unidade de preço.
  • 1971 — Ray Tomlinson escolhe @ para separar usuário e host na ARPANET.
  • Anos 1990 — provedores comerciais popularizam o e-mail em massa.
  • Anos 2000 — @ vira ícone de identidade em redes sociais.
  • Hoje — símbolo ubíquo em teclados, APIs e cultura pop.

Segurança: o @ e golpes de domínio parecido

Criminosos registram domínios visualmente similares a marcas conhecidas e enviam e-mails com remetentes enganosos. Saber ler um endereço completo — usuário, @, domínio — é habilidade básica de segurança. Desconfie de subdomínios longos que escondem o domínio real no meio da URL.

Tomlinson e a decisão em 1971

Ray Tomlinson escolheu @ do teclado Teletype porque poucos nomes de usuário o continham e o símbolo já significava “em” em notação de preço — separador perfeito entre usuário e host em ARPANET.

Primeira mensagem e mitos

A primeira mensagem de e-mail entre máquinas foi teste local; texto exato se perdeu — lenda de “QWERTYUIOP” é apócrifa. O que importa: @ virou padrão global em SMTP.

Perguntas frequentes

Quem inventou o uso do @ no e-mail?

Ray Tomlinson, em 1971, ao criar o sistema de correio na ARPANET.

Por que @ e não outro símbolo?

Porque não era usado em nomes de usuário nem em comandos do sistema — era um separador único e disponível.

O que é arroba em português?

É o nome brasileiro do símbolo @, herdado da unidade de peso usada em comércio.

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